terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

Maratona Ghibli: "O Meu Vizinho Totoro" (1988)

Ontem a maratona do Studio Ghibli passou por uma das obras-primas mais dramáticas do estúdio, mas hoje falo sobre uma das mais alegres: O Meu Vizinho Totoro ou Tonari no Totoro (1988). Para começar, será interessante deixar aqui uma curiosidade: Hayao Miyazaki trabalhou neste filme enquanto Isao Takahata trabalhava no já anteriormente aqui referido O Túmulo dos Pirilampos (1988) e a ideia foi lançá-los como uma double feature, o que, atualmente, pode ter parecido algo terrífico, mas que a meu ver consegue perfeitamente estabelecer um equilíbrio entre os vários tons (um mais sério que lida com as tragédias e a morte, e outro mais cómico e alegre) que tanto marcam os Ghibli. O resultado é que ambos se tornaram bastante populares nas décadas seguintes, sendo dos mais destacáveis das carreiras de cada um dos realizadores. Ao contrário de O Túmulo dos Pirilampos, porém, O Meu Vizinho Totoro tornou-se, por si só, numa imagem de marca para o estúdio, pela figura carismática e peculiar do seu protagonista Totoro, a sua mascote.


Este é considerado em parte uma autobiografia do próprio Hayao Miyazaki, já que viveu momentos semelhantes ao longo da sua vida que serviram de mote para esta história, na qual acompanhamos duas pequenas irmãs que têm de se mudar para uma nova vila para estarem perto da mãe hospitalizada. Satsuki e Mei são duas meninas muito amigas e curiosas e, a determinado dia, descobrem pequenas criaturas – as mesmas que mais tarde apareceriam em A Viagem de Chihiro (2001) – na sua nova casa. Primeiramente, ficam assustadas, mas rapidamente começam a acontecer coisas ainda mais extraordinárias, saídas das histórias que ambas liam. Não tarda muito até termos a pequena Mei a encontrar-se com dois pequenos Totoros, que a levam até ao “Rei” Totoro, uma criatura grande e redonda, de ar simpático e com um grande sorriso. Quando revela a sua descoberta, a reação do pai e de Satsuki é muito positiva, o que é raro – assume-se que a criança não está a mentir e que não faz tudo parte da sua imaginação, como tantas vezes é frequente. Alguns dias depois, é a própria Satsuki a descobrir também esta criatura, com a qual forma uma grande amizade.

Na minha opinião, este é um dos filmes mais alegres do Studio Ghibli. Apesar de lidarmos de perto com a doença da mãe e de percebermos que muitas das vezes as duas crianças estão “por sua conta”, sente-se que ambas são felizes. Satsuki apresenta aqui um lado que acaba por ser mais sério, ao ser a mais velha e porque tem a responsabilidade de cuidar da irmã na ausência do pai, mas mesmo assim nunca perde o seu lado mais infantil, especialmente quando brinca com a irmã. Por sua vez, Mei é uma das personagens mais engraçadas e genuínas criadas por Hayao Miyazaki. A sua pequena figura, o seu humor, as suas birras e até a maneira de andar apressada e desleixada conseguem atribuir uma felicidade contagiante ao filme.

Visualmente, esta é uma longa-metragem muito colorida e com belas paisagens, especialmente nos momentos em que o próprio Totoro entra em ação com a sua magia. Algo que torna tudo mais fantástico é também a banda sonora (uma das melhores do Studio Ghibli, sejamos honestos), sem esquecer, claro, o tema do filme (Totoro, TO-TOOO-RO!), que facilmente cantarolamos, sejamos crianças ou adultos – porque se há filme ideal para toda a família, sem dúvida que é este!


O Meu Vizinho Totoro acabou por ter um grande impacto também na Cultura, tendo-se tornado num “símbolo” mundial e numa “imagem” frequentemente usada, não apenas no Japão. Aqui não podia deixar de referir algumas curiosidades, como o facto de na Expo 2005 no Japão ter sido construída uma casa à imagem da de Satsuki e Mei, assim como também um easter egg no filme ocidental Toy Story 3 (2010), em que temos a presença de um peluche do Totoro. E por falar em peluches, por muito triste que possa ser dizer isto, é engraçado pensar que O Meu Vizinho Totoro foi um filme que quando estreou teve uma fraca bilheteira, tendo começado a ganhar um maior relevo apenas quando começaram a ser lançados peluches do Totoro.

Se por algum motivo alguém me pedisse para sugerir um único filme do Studio Ghibli, a minha resposta imediata seria este. Não por ser um dos mais populares, mas porque certamente depois de ver este a pessoa ia ficar com vontade de ver muitos outros! É um excelente ponto de partida para começar a descobrir tudo o que de bom o estúdio tem para oferecer.
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

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