sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

"WandaVision" - Episódio 5 ("On a Very Special Episode…") em análise

Hoje escrevo-vos este artigo logo após ter visto o novo episódio de WandaVision (“On a Very Special Episode…”) e a primeira coisa que me ocorre dizer é: estou chocada. Estou em choque com muita coisa que aconteceu neste episódio, especialmente porque não estava minimamente preparada para alguns acontecimentos. Dito isto, vamos lá então ao que interessa, a ver se o choque passa um pouco enquanto escrevo. Como sempre nas análises semanais, aviso que este artigo contém spoilers, pelo que não recomendo a sua leitura a quem ainda não viu o quinto episódio de WandaVision.


Gostava de começar, claro, pelo início e de dar destaque à mudança de tom da introdução, que continua a ser muito ao estilo das sitcoms, mas agora mais voltada para uma comédia romântica, com uma música lamechas a tocar de fundo, à medida que acompanhamos as novas aventuras de Wanda (Elizabeth Olsen) e Vision (Paul Bettany) a passos largos. Acontece que mesmo antes destes créditos iniciais, vemos os filhos gémeos a “envelhecerem” uns bons anos, passando de bebés a jovens crianças, para mais tarde, e de forma muito rápida, já terem dez anos, mostrando que basta pensarem que querem ser mais velhos para que isso imediatamente aconteça – e isto parece ser um poder deles mesmos, quase como se o tivessem herdado da mãe, já que no que toca aos gémeos muitas vezes Wanda fica em situações descontroláveis. E esta é a primeira novidade deste episódio, a variação nas idades dos gémeos e a ideia de que estes conseguem ter um certo controlo nas suas vidas, o que pouco acontece em Westview.

Ainda pegando nos gémeos, a primeira surpresa deste episódio é a chegada de um cão, que também parece estar fora dos planos de Wanda, como se fosse inesperado – será também ele apenas uma “criação” dos seus filhos? E este pequeno canito, que recebe o nome Sparky, tem uma função especial: alertar Wanda. E isto dá-se após a morte do cão, quando os filhos lhe pedem para o trazer de volta à vida, conhecendo os poderes e as capacidades da mãe. No entanto, Wanda diz que não se pode reverter a morte. Aqui gostava de notar que a câmara se aproxima do rosto de Wanda, levantando-nos a dúvida: será que esta o diz com consciência das coisas que fez? Será que quando o afirma se recorda do motivo pelo qual criou aquela cidade? Ou será que o diz apenas por ser o correto naquele momento, porque quer que os filhos aprendam a superar a morte – algo que ela simplesmente não conseguiu?

O terceiro momento que gostava de referir leva-nos para o emprego de Vision. Este encontra-se a falar com o seu colega Norm (Asif Ali), quando uma mensagem do exterior aparece no ecrã do seu computador. É, na verdade, um pedido de Darcy (Kat Dennings), que consegue “desligar” Norm por um instante daquela vida sob o controlo de Wanda, o que o leva a entrar em pânico e a mostrar a Vision que tem de a fazer parar, que está numa dor infinita e que tem família, para a qual quer voltar: “You have to stop her”. Isto ocorre apenas alguns instantes, pois rapidamente Vision faz com que o seu colega volte ao seu tom alegre de refém. Ainda assim, este “abre-olhos” é o suficiente para, mais tarde, Vision confrontar Wanda, mostrando-lhe que não quer viver mais neste mundo criado por ela. Isto é o que mais começa a ser frequente: uma revolta por parte de todos os que moram em Westview, à medida que no exterior Darcy, Monica Rambeau (Teyonah Parris) e Jimmy (Randall Park) continuam a salientar o facto de aquela cidade ser simplesmente composta por reféns que estão a ser controlados por Wanda. Neste sentido, também estes criam um plano para penetrar a muralha que os separa, mas o resultado é apenas revolta por parte de Wanda, que deixa um aviso bem claro: não se metam comigo, que eu também não me meto convosco. Por enquanto, ainda há paz, mas já percebemos o que Wanda pode fazer se a tentarem separar da sua vida de sonho.


Por fim, a grande surpresa deste episódio não podia deixar de ser aqui referida. Se até então já havia conteúdo sólido para tornar este episódio num dos melhores até agora (é também o mais longo), então com a revelação final rebenta-se totalmente a escala. Por várias vezes, Pietro já tinha sido referido. Aliás, a morte de Pietro às mãos de Ultron já tinha sido referida. E já se ponderava que Wanda poderia revivê-lo, no entanto não parece ter sido bem isso o que aqui aconteceu. De facto, temos o surpreendente regresso de Pietro, mas, assim como esta afirma, “não foi ela que fez isso”. Ou seja, terá Pietro sido, de facto, “renascido” por ela, ou terá ele sido o objeto que não precisava de ser mudado, sugerido por Monica Rambeau previamente no episódio? Depois, é óbvio que há algo que salta facilmente à vista e até é afirmado por Darcy, que assiste a tudo pela televisão – “She recast Pietro?” –: acontece que o ator que interpreta Pietro é Evan Peters, que o interpretou nos X-Men, e não Aaron-Taylor Johnson, que o interpretou em Vigandores: A Era de Ultron (2015). A resposta para isto, porém, parece-me ser apenas uma demonstração do poder da Disney. Em 2019, a Disney comprou a 20th Century Fox e, desde então, tem o direito de usar qualquer personagem do mundo dos X-Men. Parece, então, que Evan Peters foi o primeiro a dar o salto, aparecendo agora aqui a interpretar Pietro Maximoff, na MCU. Mas há mais, isto pode também ser a confirmação da abertura de um multiverso, há muito aguardado pelos fãs.

Este foi um episódio surpreendente e que poderá mudar por completo o rumo da série e também da própria MCU. A partir daqui, resta-nos descobrir como Wanda vai lidar com o regresso de Pietro e também com a revolta de Vision e também saber o que mais o “mundo exterior” vai tentar fazer para passar as barreiras de Westview. E, assim, passamos da mid-season. Restam quatro episódios para descobrir o que mais WandaVision tem para nos oferecer.
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

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