quinta-feira, 11 de março de 2021

"Raya e o Último Dragão" em análise

Quando há uns meses foi lançado o primeiro trailer da mais recente criação da Disney, admito que não fiquei propriamente entusiasmada. Por algum motivo, o visual das personagens e a premissa pareciam-me algo que já tinha sido feito, mas, claro, sendo fã do estúdio não consegui resistir a ver o filme assim que ficou disponível no Disney+ e posso, desde já, dizer que lamento imenso que as salas de cinema não estejam abertas para o receber, porque adianto-me a dizer que seria uma experiência incrível para ver no grande ecrã! Raya e o Último Dragão é realizado por Don Hall e Carlos López Estrada e tem como co-realizadores Paul Briggs e John Ripa.


Há muitos anos, humanos e dragões viviam juntos em harmonia no mundo de fantasia de Kumandra, mas quando uma força maligna (o Druun) ameaçou a terra, os dragões sacrificaram-se para salvar a humanidade, que, por sua vez, entrou em guerra. Quinhentos anos depois desse acontecimento, o antigo povo de Kumandra dividiu-se em cinco comunidades (Fang, Heart, Spine, Talon e Tail), e a paz é difícil de conquistar e o mal de Drunn continua a ser um perigo à espreita. Cabe a Raya (Kelly Marie Tran), uma guerreira solitária, tentar reconstruir o mundo destruído à sua volta e voltar a unir o seu povo, à medida que parte em busca de Sisu (Awkwafina), o último dragão vivo. No final, esta é uma história única sobre a importância de trabalhar em equipa e de confiar nos outros.

O filme inicia-se com uma breve apresentação de Heart, que é um dos pontos mais importantes do mapa, já que é o sítio onde se encontra o último pedaço de magia de dragão, que protege toda a comunidade do mal. Os minutos iniciais também estabelecem desde cedo a amizade que Raya sente pelo pai, Benja (Daniel Dae Kim), que é também o líder da sua comunidade e uma personagem pacificadora em relação às restantes. Benja é um personagem que se sente ter uma importante influência para vários momentos de dilema para Raya, acabando por estar sempre presente ao longo da narrativa, ainda que não tenha muito tempo de antena.


Visualmente, arrisco-me a dizer que é um dos mais belos filmes da Disney, com paisagens repletas de pormenores e uma nitidez impressionante – especialmente nas sequências com água a flutuar ou a correr nas nascentes. A natureza que rodeia as personagens é refrescante e contrasta com as várias cidades apresentadas, que contribuem para dar uma maior dinâmica ao filme, a nível de cenários. A determinado momento, Raya tem de visitar as várias comunidades e visitar os seus locais, todos muito distintos. Gostava de destacar a cidade de Talon, com as suas luzes brilhantes e repleta de cor, sendo talvez a mais urbana das cinco. Os cenários são todos muito distintos, o que é importante para não tornar o filme monótono, já que durante algum tempo o único objetivo da personagem implica a sua visita a estes locais.

À medida que Raya viaja, várias personagens secundárias juntam-se a ela na sua demanda. Raya é uma personagem principal muito forte (com uma grande força, inteligência e habilidade em lutas), mas não ofusca as personagens secundárias, pois todos têm características únicas e também contribuem para dar um tom mais cómico ao filme, como é o caso da bebé de Talon ou do próprio Boun (Izaac Wang), um jovem que tem um barco com um restaurante e que ajuda Raya nas suas deslocações, e sem esquecer Tong (Benedict Wong), uma personagem cuja aparência lembra um pouco o vilão Shan Yu de Mulan (1998), mas que afinal é apenas alguém com uma experiência de vida capaz de nos tocar. Impossível é também não referir a antagonista Namaari (Gemma Chan), que no final é uma verdadeira surpresa e passa por um bom desenvolvimento.


Inicialmente, o elenco de vozes gerou alguma polémica, pois a história é inspirada na cultura do sul da Ásia, mas a maioria dos atores são descendentes do Leste Asiático. Na minha opinião, gostava de referir que acho de especial importância o facto de muitos destes atores serem estreantes nas dobragens, como é o caso de Kelly Marie Tran (essencialmente conhecida pelo seu papel de Rose Tico em Star Wars: Episódio VIII - Os Últimos Jedi). A versão original é realmente muito singular e o trabalho de vozes está excelente e cativante, com destaque, claro, para a protagonista e também para Awkwafina, que interpreta Sisu com uma grande naturalidade.

Como, certamente, já perceberam, o pouco entusiasmo inicial deu lugar a uma grande experiência que lamento mesmo não ter tido a oportunidade de ver nos cinemas – com alguma sorte, pode ser que ainda tenha uma estreia em sala quando voltarem a reabrir. Raya e o Último Dragão é uma aventura incrível: reúne um grupo carismático de personagens e uma vilã com boas motivações, apresenta cenários incríveis e criativos e uma história que arrisca confrontar os sentimentos da sua protagonista. O resultado é um clássico instantâneo para a Disney e um dos poucos recentes filmes do estúdio que sei que vou voltar a ver daqui a vários anos, assim como ainda hoje vejo aqueles que marcaram a minha infância.

8/10
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Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

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