quarta-feira, 3 de março de 2021

"The Legend of Zelda: Breath of The Wild" foi lançado há quatro anos

Passaram quatro anos desde que a Nintendo entrou na sua nova geração de consolas com o lançamento da Nintendo Switch e houve um jogo que marcou essa mudança. The Legend of Zelda: Breath of the Wild pôs um ponto final na Wii, com o lançamento para a Wii U, enquanto se tornava também no primeiro jogo para a Nintendo Switch. Passados quatro anos, a consola passou a ser uma das mais vendidas e acarinhadas, com um leque de jogos memoráveis, dentro dos quais encontramos este sobre o qual hoje falamos e que quatro anos depois continua a marcar jogadores, nesta viagem inesquecível por Hyrule.


Eu admito que só me juntei à família Switch no ano passado, pelo que podem considerar que havia gente melhor para falar do tema do que eu. No entanto, admito também que nunca tinha jogado tanto ao longo da minha vida como passei a jogar depois de ter adquirido esta consola. Claro, grande parte do meu tempo foi a decorar a minha ilha em Animal Crossing: New Horizons, mas logo de seguida no ranking conto com cerca de 150 horas neste fantástico The Legend of Zelda: Breath of the Wild, e ainda sem DLC.

Acredito que, assim como para mim, este foi uma entrada no universo de Zelda para muita gente. Depois disso já passei pelos primeiros jogos e também pelo Phantom Hourglass da Nintendo DS, mas nenhum foi capaz de me dar algo que este tem em grande dose: liberdade. Assim que começamos o jogo, deparamo-nos com o protagonista Link a acordar de um sono de cem anos e quando nos é mostrado o logótipo na introdução sabemos de imediato que estamos perante algo completamente novo. Ver o Link a sair da Shrine of Ressurection para enfrentar o seu mundo completamente alterado dá-nos uma sensação de frescura, mas também de perigo, já que, ao longe, o castelo de Hyrule está rodeado pelas forças do mal de Ganon.


Inicialmente, senti-me a aterrar no mapa e a ter total controlo do que poderia fazer: para onde ir, o que matar, etc. O jogo deixa-nos explorar, entregando-nos missões como, inicialmente, encontrar quatro shrines (para depois conseguir ter acesso a um paraquedas), relembrar memórias (pois Link não se lembra de nada, nem de Zelda), recuperar quatro Divine Beasts e, por fim, derrotar Ganon. No entanto, quando começamos temos um mapa quase vazio, pelo que o recomendável é mesmo subir às várias torres espalhadas por Hyrule para que todas as zonas do mapa apareçam, o que tornará mais fácil a tarefa de marcar os locais para onde queremos ir.

O facto de termos liberdade para ir onde quisermos poderá tornar o início confuso, mas parece-me que todos os jogadores acabam por ir parar ao mesmo sítio: Kakariko Village, uma pequena aldeia com influência japonesa, localizada na região de Dueling Peaks, que será, certamente, também o estábulo pelo qual os jogadores vão passar primeiro. Chegados a Kakariko, é inevitável não estarmos já apaixonados pela harmonia e cenários. E isto é apenas o início, pois há ainda muitas aldeias e estábulos por descobrir, com destaque, claro, para a rústica Hateno Village (onde o jogador pode comprar uma casa para o Link), a solarenga vila piscatória Lurelin e todas as aldeias dos locais onde estão situadas as Divine Beasts: cada uma mais diferente da outra, com Rito Village a localizar-se num ponto muito alto, Gerudo no deserto, o domínio dos Zora numa espécie de Atlântida e, por fim, a muito quente cidade de Goron, em pleno vulcão (e para a qual o jogador conseguirá ir apenas com recurso a elixires ou a uma armadura especial que se vende na própria cidade).


A história do jogo vai-se formando com recurso às memórias que Link deve procurar e também com sequências de vídeo quando interage com as personagens NPC e recupera as quatro Divine Beasts. Conhecemos os quatro campeões (Mipha, Urbosa, Daruk e Revali) que cem anos antes tentaram destruir Ganon, mas com pouco sucesso. Entretanto, a história destes foi ainda mais desenvolvida no jogo recentemente lançado Hyrule Warriors: Age of Calamity, no qual viajamos precisamente para esse acontecimento e enfrentamos as tropas inimigas – infelizmente, o final do jogo não se torna coerente com a história deste Breath of the Wild, mas é também uma excelente maneira de conhecer melhor o passado de Hyrule.

Recuperar as Divine Beasts torna-se no principal desafio. Começamos sempre com uma prova de perspicácia que tem o objetivo de levar Link até ao interior das máquinas, mas isso é mesmo apenas o princípio, já que assim que nos encontrarmos no seu interior temos perante nós grandes quebra-cabeças, seguidos de bosses contra criações do próprio Ganon. É difícil entrar no ritmo das Divine Beasts e compreender o que é preciso fazer. Temos de explorar muito e tentar decifrar tudo o que nos aparece à frente. Assim que achamos que está tudo feito, deparamo-nos com os tais bosses, que em alguns casos não são particularmente fáceis. Que sirva para consolo pensar que as primeiras são sempre as piores, de seguida já sabemos o que fazer! E, já agora, evitem ir logo para Gerudo, que é a mais complicada de todas!


O lado bom das Divine Beats é que tornam a batalha contra Ganon em algo simples e básico, até porque com as quatro conquistadas a vida do vilão é logo reduzida para metade. No final, temos o boss dividido em duas partes: numa primeira, temos de enfraquecer Ganon, até chegar à segunda parte, em que temos de atingir os seus pontos fracos, com o Bow of Light, que nos é dado por Zelda – e que tem flechas infinitas (mas, infelizmente, é só mesmo para esta batalha). Eu diria que é um boss interessante de se fazer e que no final nos recompensa com o reencontro entre os dois protagonistas da saga, mas acaba por ser mais fácil do que outros desafios no jogo.

Para além da sua história principal, o mundo de Breath of the Wild prolonga-se por inúmeros side quests, a começar, claro, pelas shrines. Existe um total de 120 shrines (sem DLC) espalhadas por Hyrule, repletas de desafios intrigantes em que temos de recorrer aos poderes da Sheikah Slate. Muitas tornam-se confusas e difíceis, mas, novamente, é preciso ter muita atenção a todos os detalhes e tentar compreender o que é preciso fazer. No final de cada shrines recebe-se uma orb, que pode ser trocada por vida ou stamina, e quando estiverem todas completas há um prémio especial: as roupas tradicionais do Link, que ficarão guardadas em três cofres no Forgotten Temple (uma área perigosa, repleta de Guardiões ativos, mas na qual também se situa uma shrine).


Neste momento, quando jogo, tendo já completo as missões e encontrado todas as shrines, sinto um enorme conforto ao chegar às vilas e a interagir com os múltiplos NPCs. O facto de algumas caras já me serem familiares dá-me sempre uma sensação confortável: por exemplo, quando chego a um estábulo e encontro o Beedle, ou quando vejo o Kass perdido nas letras das suas canções, ou Pikango a meio das suas obras de arte. A maioria das personagens não jogáveis tem personalidades muito próprias, o que nos aumenta a vontade de interagir com todos eles – até mesmo com os estranhos “travelers” (na verdade, são membros do Yiga Clan disfarçados) que se encontram sempre a chorar nos locais mais suspeitos. Este é, sem dúvida alguma, um jogo em que a componente humana tem um grande impacto nas ações das suas personagens, seja nos objetivos de Link ou até mesmo nas coisas mais pequenas, como alguém ficar contente por receber algo de outra personagem.

The Legend of Zelda: Breath of the Wild faz hoje quatro anos e continua a deslumbrar todos aqueles que decidem embarcar nesta aventura. Neste momento, aguarda-se ansiosamente por novidades da sua sequela, que já foi anunciada em 2019. A aventura vai continuar e agora vamos, certamente, conhecer mais da Zelda desta entrada da franquia. Até lá, a Nintendo já anunciou o lançamento de Skyward Sword para a Nintendo Switch e sempre vai matar as saudades de Hyrule!
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

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