sábado, 6 de março de 2021

"WandaVision" - Episódio 9 ("The Series Finale") em análise

O penúltimo episódio de WandaVision, do Disney+, foi intenso e um dos melhores, isso é inegável. Deixou todos a pensar no que poderia acontecer na season finale, se Agatha Harkness ia continuar a ser a grande vilã ou se outra personagem ainda iria assumir esse papel, como, por exemplo, o White Vision, resultado da reconstrução da S.W.O.R.D. dos destroços de Visão. Ponderou-se até a chegada de Mephisto. Como sempre, a Internet encheu-se de teorias e hoje, finalmente, recebemos as tão aguardadas respostas, com o último capítulo da série, intitulado “The Series Finale”. Esta análise contém spoilers!


Começamos precisamente onde ficámos: com Wanda a começar a usar os seus poderes contra Agatha depois de esta ter encurralado os seus filhos. Rapidamente percebemos que o episódio vai, de facto, centrar-se no confronto entre ambas, mas surge ainda outro perigo: o “inesperado” White Vision, que começa uma luta épica com Visão, enquanto este tenta ajudar Wanda, que está de mãos ocupadas a tentar impedir que Agatha lhe roube os poderes.

No episódio anterior aprendemos que Wanda é uma Feiticeira Escarlate, o que não é propriamente uma novidade. Mas o significado disso talvez seja: está destinada a espalhar o caos e a dominar o mundo. Bem, todos já conhecíamos Wanda de outras andanças e sabemos que não é uma vilã, mas também sabemos que pode descontrolar-se com alguma facilidade, muitas vezes levando a danos irrefletidos. Neste episódio acabamos por ver a personagem em vários dilemas, que partem dessa ideia. Por exemplo, esta tem duas opções: salvar a sua família e destruir a sua Westview, como se o caos estivesse sempre presente na vida da nossa protagonista. Só que Wanda é também bastante perspicaz e é essa a sua grande vantagem em relação a Agatha.


Na minha opinião, este episódio não foi tão bom quanto poderia ter sido, mas teve momentos muito altos. Ficou marcado pela emoção. Durante a maioria da sua duração, temos a típica luta entre bem contra o mal, ainda que neste caso a barreira entre esses dois opostos possa parecer quase ultrapassável. As lutas são bem feitas e épicas, especialmente quando vemos Wanda e Agatha a soltar os seus feitiços. Também a luta dos Visões tem um certo fascínio, mas destaco quando estes se tentam entender e acabamos por ter mais um “aliado” – que, no entanto, parece depois ser um pouco esquecido no final do episódio. Para mim, o momento mais forte é precisamente durante a luta, quando Wanda ganha uma maior confiança e usa a sua força quase total (será mesmo o seu máximo?) e recebe a transformação na Feiticeira Escarlate, com novas roupas que lhe dão um ar ainda mais poderoso. No entanto, fora isso, senti a falta de algo mais, como uma maior abordagem a outras personagens secundárias. Monica Rambeau é um dos casos que gostava de ter visto brilhar para além da sequência em que vemos os seus poderes em ação enquanto protege os gémeos. Por sua vez, também o momento de “Pietro”, me pareceu um pouco fora de tom, mas essencial, já que revela a sua verdadeira identidade e não é bem o que pensávamos: afinal este é Ralph Bohner, o já várias vezes referido “marido” de Agnes – isto, infelizmente, parece afastar por completo todas as teorias relacionadas com os X-Men.

Para terminar, é importante notar que este episódio tem duas sequências durante e após os créditos. Na primeira, Monica Rambeau recebe uma visita especial, relacionada com a Capitão Marvel, a grande amiga da sua mãe, que alerta para a presença da personagem no segundo filme da super-heroína. Por sua vez, na última assistimos a uma Wanda isolada a tentar “compreender” as runas, mas num estado pouco normal, o que remete para o seu papel em Doctor Strange in the Multiverse of Madness (2022). Resta-nos aguardar para ver o estado em que a personagem se vai encontrar quando se reencontrar com Stephen Strange.


Este foi um episódio bom, disso não há dúvidas, mas gostava que tivesse sido mais ambicioso e que não tivesse perdido tanto tempo em batalhas de CGI. Esta foi uma temporada repleta de surpresas, em que houve uma clara transformação do tom da MCU e esse foi o motivo que me levou a ter expectativas tão elevadas para este episódio. No entanto, o seu terceiro ato entregou-nos algo necessário, que foi a “redenção” de Wanda e a sua aceitação da realidade – mas por quanto tempo?
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Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

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