quinta-feira, 29 de abril de 2021

"Mortal Kombat" em análise

Ah, Techno Syndrome... Haverá alguma música de um filme que desperte tanta energia e entusiasmo (e abana capacete) que este, já considerado, clássico? Sim, claro, também deve haver quem odeie, há gostos para tudo, mas, o que quero dizer, é que nunca soube tão bem voltar a ouvir este tema, mesmo que seja uma versão 2.0, pois o seu efeito é igual.


Eu já sigo Mortal Kombat desde os seus dias da PS2, começando com o Armageddon, o último a sair nessa consola, e foram várias e inúmeras horas as que gastei a jogá-lo, seja no modo história como no modo arcade... E o modo Motor Kombat! Dizer que não estava entusiasmado para o filme seria dizer pouco, mas as expectativas estiveram sempre baixas. As razões são as do costume, é um filme adaptado de um jogo de vídeo, e, como já se sabe, há sempre problemas à volta dos mesmos, seja a nível de produção, seja de liberdades tomadas com a história ou personagens, e muitas outras coisas, que, num resultado final, acaba por ser criticamente atacado. Mortal Kombat (1995), de Paul W. S. Anderson, foi uma rara exceção dos anos 90, depois de ter havido fracassos em filmes como Street Fighter e Double Dragon, e foi o filme que deu uma pequena luz no meio da escuridão às produtoras que tinham um pé atrás para fazer um filme adaptado de um jogo... E depois veio Mortal Kombat Armageddon, mas isso já é outra história.

Recentemente tem-se visto um ressurgimento destas adaptações, não realizadas por Uwe Boll, mas produzidas, maioritariamente, pela Warner Bros. Tomb Raider e Rampage foram ambos baseados em jogos e tiveram uma boa receção, seja por críticos como por fãs. Sonic inclusive, apesar dos problemas que teve à volta do seu design, foi também adorado por muitos. Mortal Kombat é agora o terceiro filme da Warner a conseguir quebrar a barreira da “maldição” de que “todos os filmes adaptados de jogos são maus”, mas tinha potencial para ser muito melhor.


Os lados negativos também não são muitos, mas são meio pesados. Um deles é a criação de uma personagem completamente nova, Cole Young – lá está, tomar liberdades, por vezes desnecessárias. Apesar de ser uma personagem importante para a história, penso que esta não tem muita personalidade, e pouco interessante, e é uma que podia ter sido trocada por uma outra personagem do jogo (e escolhas não seriam poucas), mas, usando a lógica, Johnny Cage seria uma opção muito melhor se fosse para usar um humano totalmente fora do contexto de tudo referente a Mortal Kombat, servindo de olhos da audiência e explicando-nos as suas regras e conceitos. E o resto das personagens, apesar de bem estabelecidas, parecem ainda ter um pouco falta de sal. Talvez tenham apresentado demasiadas ainda no primeiro filme. No original, o grupo apenas era formado por três lutadores, e esse grupo mostra uma grande evolução ao longo da narrativa. Neste novo não parece haver tanto disso. A única exceção aqui seria a personagem de Kano, pois parece ter sido a única com maior personalidade.

No outro lado do espectro, Sub Zero e Scorpion são as duas personagens mais bem realizadas do filme, e o ponto mais forte do mesmo. Iniciando-se logo em volta dos dois, entendemos logo a sua icónica rivalidade, e, a partir daí, todas as cenas tentam fazer-nos esperar por um confronto final entre os dois. Apesar de Scorpion não estar muito no filme, Sub Zero está, e sente-se imenso a sua presença sempre que está prestes a surgir. É quase como quando se espera um jumpscare num filme de terror, pois este é uma força da natureza com que quase ninguém se quer meter.


A nível de história... Quem raio vai ver isto pela história? Queremos é ver as lutas no seu maior vislumbre, e que sejam o mais brutal possível! Muito honestamente, a história aqui não é muito relevante, mas faz tudo parecer um início ou começo para algo muito maior. As lutas parecem-me bem conseguidas na maior parte. Num filme em que o foco são as lutas, é favor haver poucos cortes, fazer com que se sinta a força de cada golpe, haja alguma proximidade da ação, e, claro, que se veja minimamente a mesma. O filme consegue isso em parte, mas em outras parece que se esquece de tal e acaba por levar muitas cenas à tesoura.

O filme está classificado para +16, por isso convinha também dar-nos um bom banho de sangue ou, pelo menos, arrebentar com uma ou outra espinha (ou cabeça). O filme de 95 tinha isso em falta, mas este não tem medo de espalhar alguns litros de sangue e violência, e o mesmo é demonstrado nos seus primeiros dez minutos. Pena que a maior parte seja em CGI e não propriamente presencial. Falando em CGI, em alguns momentos este parece um pouco mal conseguido, especialmente na personagem de Goru, que achei muito melhor no filme já com mais de duas décadas.


Cheio de fan service, violência e gore, Mortal Kombat consegue ser melhor que as expectativas iniciais. Pode sofrer de um argumento banal, e de falta de personalidade na maior parte das personagens, e desinteresse na própria personagem principal, mas tem momentos muito bons de ação e, por acaso, de humor. Para os fãs dos jogos pode ser o esperado, e para eles não consigo deixar de recomendar o filme. Para normais cinéfilos, o filme é capaz de os deixar divididos: ou deixam-se levar pelo “ridículo” da coisa, ou levam-na demasiado a sério, perdendo o seu charme.

7/10 ⭐
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Apreciador e colecionador de jogos e, principalmente, filmes desde a minha infância, possivelmente tendo começado o louvor de cinéfilo depois de repetir quinhentas vezes a VHS alugada no Videorama do filme Spider-Man (2002) de Sam Raimi.

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