sexta-feira, 14 de maio de 2021

"Monster Hunter" em análise

Filmes baseados em videojogos são sempre arriscados, especialmente quando os jogadores desses mesmos jogos criam grandes expectativas ao redor das suas adaptações. Não sei se será propriamente o caso de Monster Hunter. Não sei até que ponto existiam expectativas altas por parte dos jogadores da franquia de Monster Hunter em relação a este filme. No entanto, parece-me claro que os nomes a ele associadas já nos poderiam dar uma ideia de como este iria ser. Paul W. S. Anderson, já bastante conhecido por adaptar videojogos, e essencialmente associado a Resident Evil, pega, desta vez, num novo universo e volta a conduzir a sua esposa, Milla Jovovich, para o papel da protagonista.


O argumento acompanha um grupo de soldados que a meio de uma missão é transportado para um novo mundo, onde reinam criaturas perigosas e do qual parece não haver escapatória. A ranger Artemis (interpretada por Jovovich) acaba por ver-se numa situação em que ou luta pela sua vida, ou pode ser devorada por um monstro a qualquer momento, e é durante uma tentativa de regressar ao seu mundo que encontra um caçador (Tony Jaa), que conhece todos os monstros e os seus pontos fracos, e que a treina, para que consiga reencontrar o caminho para casa.

Introduzir um novo universo no grande ecrã é sempre uma tarefa complicada, visto que entre o público há sempre pessoas que não estão familiarizadas com o tema. É, por isso, preciso explicar alguns elementos, de modo que quem não os conhece possa compreender, mas evitando, também, que se torne aborrecido para aqueles que já são fãs de longa data e, no caso de Monster Hunter, esta é uma franquia que já conquistou milhões de jogadores e que continua a renovar-se com novas histórias e aventuras. O que o filme faz é generalizar os jogos, de modo a conseguir apresentar o seu universo ao público de uma maneira eficaz, que também apresenta a premissa geral dos jogos e o seu objetivo principal de caçar monstros.


As personagens são pouco desenvolvidas, com exceção de Artemis (cujo nome só descobrimos perto do final). Esta acaba por ser a única sobrevivente do grupo de soldados e é interessante ver o modo como lida com todas as perdas. Os momentos em que Milla Jovovich pega no comando da história, sozinha, são os mais interessantes, pois a atriz consegue trazer uma grande intensidade para a sua personagem quando esta se encontra quase sem esperança e sem ideias de como sobreviver. Milla faz um excelente trabalho ao interpretar esta ranger e o seu desenvolvimento pessoal é um dos maiores destaques deste filme.

O problema de se dar tanta atenção à protagonista é que tudo ao seu redor parece ser insuficiente. Até o seu “companheiro” de aventuras, o caçador, cuja presença parece servir mais de alívio cómico, em vez de parecer realmente um grande guerreiro. Honestamente, as suas táticas não me surpreenderam e os momentos engraçados não me agradaram e pareceram-me sempre totalmente fora de contexto, como se pertencessem a outro universo que não o de Monster Hunter.


Pessoalmente, quando vejo filmes deste género, nunca vou a contar com uma grande história, mas sim com o objetivo de entretenimento. E lá isso é aqui bem conseguido. O filme entretém. Não é aborrecido e consegue agarrar-nos bem ao ecrã. Para quem não conhece a franquia dos videojogos, serve de introdução e, quem sabe, talvez consiga despertar o interesse dessas pessoas para os próprios jogos. Para os jogadores, parece-me interessante ver alguns dos monstros a serem transportados para o grande ecrã, como é o caso de Rathalos, Diablos… E até do Palico (que até tem direito a pós-créditos). Há respeito pelos jogos e presta-se-lhes um certo tributo, mas, fora isso, é um filme que não inova no género e que traz uma fórmula que parece já ter sido vista várias vezes, até nos filmes realizados por Paul W. S. Anderson. O resultado: é um filme que recomendo se quiserem ir ao cinema passar um bom bocado, ou até mesmo se forem fãs dos jogos. Fora isso, se o tema não vos parecer interessante, penso que não será uma boa aposta.

5/10
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Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

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