terça-feira, 18 de maio de 2021

"Spiral - O Novo Capítulo de Saw" em análise

Há franquias que parecem não ter fim e volta e meia alguém lhes pega, com a intenção de as renovar ou refrescar. É o caso de Saw, que já vai muito distante dos tempos em que James Wan e Leigh Whannell apenas queriam dar seguimento a um projeto que tinham iniciado nos seus tempos de escola. Saw - Enigma Mortal (20004) foi revolucionário no seu género e entregou uma experiência única e inesquecível. Ao longo dos anos que se seguiram, foram surgindo sequelas, multiplicando essa experiência, mas, por norma, com pouco a acrescentar. Por enquanto, são precisas apenas duas mãos para contar os filmes que compõe a franquia, mas pelo andar da carruagem não vão parar tão depressa, pelo menos enquanto os fãs continuarem a querer vê-los. Em 2017, Jigsaw continuou o legado, mas com pouco sucesso, mas agora temos a estreia de uma espécie de spin-off, em que o místico Jigsaw serve de inspiração a um novo “assassino em série” que, no entanto, não é original ao ponto de evitar que todos os seus crimes soem repetitivos em relação a tudo o que já vimos em Saw.


Em Spiral - O Novo Capítulo de Saw somos apresentados a Zeke Banks (interpretado por Chris Rock, que faz, assim, uma pausa na Comédia), um detetive que fica encarregue de investigar várias mortes dentro do seu núcleo de agentes. Parece haver o objetivo, por parte de um misterioso assassino, de expor casos de corrupção – ou seja, novamente a fórmula, de “arrancar” a verdade das “vítimas”. Zeke começa a ver os seus colegas a serem assassinados de múltiplas formas e, não tarda, surge um parceiro, o Detetive William Schenk (Max Minghella), que o ajudará a solucionar alguns dos casos.

Quando há um novo filme de Saw, vou vê-lo pelo entusiasmo de descobrir novas armadilhas e, essencialmente, pelo nostalgia do horror causado pelo primeiro filme – que fez a proeza épica de guardar o seu plot twist até aos minutos finais. Depois de tantas sequelas, já não vejo as novas entradas da franquia com a expectativa de que sejam grandes filmes, mas mais pela diversão. Ou seja, quando fui ver Spiral não ia a contar com uma obra-prima, mas com um filme que me fizesse passar uma boa hora e meia neste regresso às salas de cinema. O problema: já o vi há uns dias e continuo sem saber se gostei ou não. Spiral não traz nada de novo à franquia (absolutamente nada), repete a mesma fórmula de sempre… Mas não é mau.


Chris Rock traz um ar fresco à franquia, ao ser uma personagem um pouco distinta do habitual. O ator está mais ligado à comédia e, portanto, não admira que em alguns momentos se sinta que existe um certo humor nos diálogos, a começar logo com a inicial discussão sobre Forrest Gump (deixem-me que diga que adoro sempre quando nos filmes a “relação” entre Forrest e Jenny é referida, especialmente quando as verdades são ditas!). Há um bom equilíbrio entre humor e um tom mais sério, assim como a dose certa de drama e terror – e não é um filme de jumpscares, mas consegue deixar-nos com vontade de ir tomar um belo banho depois de vermos as suas sequências sangrentas.

Como já referi, temos novos estilos de armadilhas, mas não são propriamente originais e à medida que as vamos vendo torna-se também bastante óbvio quem é o verdadeiro assassino, pela maneira como a sua “morte” é apresentada – quase omitindo os acontecimentos (ao contrário do que acontece com todos os outros, cujos momentos finais são detalhadamente mostrados). Ainda que a câmara nos tente, por várias vezes, enganar, ao captar as feições de uma outra personagem por cada vez que uma nova vítima surge, a maneira como o vilão surge na história é, por si só, suficiente para nos levantar as desconfianças. No final, o argumento é previsível, mas, outra vez, é um filme que serve mais para entreter do que outra coisa. Não acrescenta nada, mas volta a trazer-nos as famosas artimanhas e, por isso, consegue entreter os fãs e, quem sabe, conquistar novos públicos.

6/10
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Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

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