quarta-feira, 9 de junho de 2021

"Chaos Walking - O Ruído" em análise

Tom Holland e Daisy Ridley são dois nomes que nos últimos anos têm feito eco em Hollywood. Ele por ser o mais recente Homem-Aranha, ela por ter sido a Rey de Star Wars, entre outros papéis menores que ambos já fizeram nas suas carreiras. Têm marcado a sua geração de atores e desta vez são os protagonistas de Chaos Walking - O Ruído que, claro está, tem nestes dois nomes a sua maior atração. Baseado na obra literária de Patrick Ness, este filme realizado por Doug Liman leva-nos para um outro planeta, mais precisamente para uma sociedade distópica apenas constituída por homens, cujos pensamentos são audíveis, resultando em muito ruído. Certo dia, uma rapariga, Viola (Daisy Ridley) “aterra” nesta sociedade e é perseguida pelo Mayor (Mads Mikkelsen), mas escapa com a ajuda de Todd (Tom Holland), que se torna num parceiro inesperado.


Chaos Walking - O Ruído introduz-nos a este Sci-Fi e, assim como todos os filmes de introdução a novos universos, começa por nos apresentar os seus protagonistas, no entanto a maneira como o faz talvez não seja das melhores… Começamos com Todd e o seu cão Manchee. A maneira como o conhecemos é através do ruído, ou seja, os seus pensamentos, representados através de grandes nuvens dinâmicas ao redor da sua cabeça. Através desta personagem, ficamos a conhecer minimamente a sua comunidade e o motivo por esta ser somente formada por homens e não mulheres. Também através das suas ideias, somos apresentados a todas as personagens que o rodeiam, incluindo o Mayor Prentiss, que “comanda” todos os outros e que acaba por se tornar no vilão desta história. É uma introdução rápida, mas eficaz. O problema chega quando somos apresentados a Viola… Ainda com uma maior rapidez, que nos deixa com dúvidas sobre as suas origens, as suas missões e os seus motivos.

À medida que o argumento se ia desenrolando, comecei a sentir muitos nós por atar. Admito, quando o filme terminou fiquei cheia de questões, nomeadamente sobre a personagem de Viola. Entendo que isso possa ser o pretendido (talvez até se pense em fazer uma sequela), mas senti que não acontece muito neste filme, uma vez que os protagonistas passam a maioria do tempo a caminhar ou em “lutas” que parecem nem fazer muito sentido, como é o caso do momento na água, em que quando realmente há um frente-a-frente com o inimigo é tudo “resolvido” demasiado depressa – o mesmo acontece no final, com um clímax pouco interessante. Tenho de dizer também que o modo como o ruído foi apresentado deixou-me, a determinado momento, um pouco aborrecida. Será que não havia melhor maneira de representar os contantes pensamentos dos homens deste filme, sem que isso se tornasse entediante para o espectador? Acontece que começa a tornar-se tudo demasiado repetitivo.


É óbvio que Chaos Walking vai atrair muita gente por causa dos seus protagonistas: Tom Holland, Daisy Ridley e Mads Mikkelsen são quem consegue dar um certo interesse a esta história com os seus carismas distintos. É engraçado ver a interação entre Holland e Ridley, mesmo quando o argumento às vezes soa forçado com um humor desnecessário. Ver Mads Mikkelsen a interpretar um “vilão” não é novidade, mas é sempre bom, ainda que a personagem tenha muito pouco desenvolvimento e não dê tempo suficiente a este para brilhar.

O resultado de Chaos Walking - O Ruído é um filme que tinha potencial, mas que acabou por se perder em refilmagens e adições que nada acrescentam. A sua premissa é mal desenvolvida, parecendo cair no erro de pensar que basta ter um bom elenco para atrair o seu público.

4/10
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Um grilo falante que lê livros, vê filmes e coleciona figuras e outras tralhas. Tenho um grande gosto pelos grandes clássicos e pelas animações. Na minha lista de longa-metragens favoritas estão E Tudo o Vento Levou (1939), Cinema Paradiso (1988), Forrest Gump (1994) e La La Land (2016).

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