quarta-feira, 2 de junho de 2021

"The Conjuring 3 - A Obra do Diabo" em análise

Chega-nos então mais um filme que teria saído no ano passado caso não fosse esta altura pandémica: The Conjuring - The Devil Made Me Do It. Desta vez, o filme não é realizado pelo já veterano do cinema atual do terror, James Wan, mas sim por um dos seus parceiros neste universo cinematográfico do Conjuring, Michael Chaves, realizador de A Maldição da Mulher que Chora (2019). Esse seu filme, na altura, teve uma receção bastante mediana, especialmente pela falta de sustos e por ser mais um filme de terror direcionado para os adolescentes, aproveitando a demanda por este tipo de filmes. Viu-se assim uma estranha alteração de quem está sentado na cadeira de realizador, e isso nota-se, igualmente, neste filme.


O filme, por acaso, começa logo numa nota bastante alta, o que faz pensar que, talvez, até não fugiria muito da fórmula já estabelecida por Wan. Mas, infelizmente, ficou-se por aí, e o resto do filme pareceu mais aborrecido do que "assustador". A culpa não é propriamente da realização, mas é pelo argumento também, que adapta, ou tenta adaptar, um dos mais famosos casos dos Warren. Este caso é, infelizmente, mais focado num caso jurídico, algo que o filme não é, sendo este mais um filme de terror policial estilo O Exorcismo de Emily Rose (2005), mas não tão bem sucedido nessa fórmula.

Assim dizendo, é mais dirigido a um filme de investigação do que a um filme de terror, onde seguimos os Warren de um lado para o outro a tentar arranjar maneira de salvar o condenado. Ou seja, é só uma maneira de alongar a narrativa o máximo possível, mas, infelizmente, às vezes é um pouco aborrecido. Por vezes até parece um spinoff da série Conjuring, daí ter uma diferença enorme a nível de tom em comparação com os outros dois.


As interpretações na maior parte do filme estão ok, não há nada assim de destacável, muito menos há personagens memoráveis. Aqui também não há nenhuma Annabelle nem nenhuma Valak, nenhuma presença demoníaca que será relembrada nesta série daqui em diante. Aqui apenas há a presença de Vera Farmiga e Patrick Wilson nos seus respetivos papéis dos Warren que começaram há 7/8 anos. E penso que sejam uma (duas) das poucas coisas que salvam o filme.

Por acaso a cinematografia até é boa nos momentos de tensão, mas é pena não haver tantos quanto esperado, ou haver sequer sustos mais elaborados. Parecem, na maioria, sustos baratos e previsíveis (daqueles em que a câmara fica presa num só sítio até a música parar e saltar qualquer coisa do meio do escuro... Wow!), e isso não era suposto esperar dos filmes do Conjuring, ou, pelo menos, eu não esperaria se tivesse ou James Wan ou David F. Sandberg envolvidos mais criativamente no filme.


Não sei o que mais será deste universo cinematográfico. Há um filme do Crooked Man ainda em pré-produção desde 2017, e ainda uma sequela d'A Freira Maldita, e, para além disso, penso que não haja muito mais. E, se for para ser assim, e tendo em conta o resultado deste filme, penso que mais vale acabar a série por aqui, antes que esta fique desgastada e ainda mais desinteressante.

5/10
QUEM ESCREVEU ESTE ARTIGO?

Apreciador e colecionador de jogos e, principalmente, filmes desde a minha infância, possivelmente tendo começado o louvor de cinéfilo depois de repetir quinhentas vezes a VHS alugada no Videorama do filme Spider-Man (2002) de Sam Raimi.

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